"Somos aquilo que fazemos" - Cartão Branco reforça o papel do Treinador
Cartão Branco reforça o papel do Treinador na promoção da ética e dos valores no Desporto. "Nós não somos aquilo que dizemos. Somos aquilo que fazemos", defendeu o treinador Pedro Fernandes durante o webinar que assinalou os 10 anos do Cartão Branco.
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No âmbito das comemorações dos 10 anos do Cartão Branco, a Confederação de Treinadores de Portugal através da Escola de Treinadores, promoveu, em parceria com o Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED) do IPDJ, o webinar "Cartão Branco – A Importância do Reforço Positivo", reunindo treinadores para uma reflexão sobre o papel do reforço positivo na formação desportiva e na promoção dos valores éticos.
A sessão contou com 912 participantes, representando 46 modalidades desportivas, com destaque para o Futebol, a Natação, o Andebol e o Futsal, demonstrando o interesse transversal da comunidade desportiva por uma temática centrada na ética, no fair play e na valorização dos comportamentos positivos.
Moderada por Teresa Rocha, Vice-Presidente da Confederação de Treinadores de Portugal, a sessão contou com a participação de José Lima, Coordenador do PNED, Jorge Silvério, Provedor da Ética no Desporto, Pedro Fernandes, treinador de Andebol e professor de Educação Física, e Ana Ribeiro, coordenadora da Liga 3 da Federação Portuguesa de Futebol e antiga árbitra internacional.
Na abertura da sessão, Teresa Rocha destacou que os treinadores reconhecem o Cartão Branco como uma ferramenta pedagógica de elevado valor, capaz de influenciar positivamente os comportamentos dos atletas, sublinhando, contudo, a necessidade de continuar a aumentar a sua divulgação e utilização junto da comunidade desportiva.
José Lima apresentou o balanço dos dez anos de implementação do Cartão Branco, referindo que a iniciativa já envolve cerca de 110 entidades aderentes, 40 modalidades desportivas e milhares de distinções atribuídas a atletas, treinadores, dirigentes, árbitros, espectadores e outros agentes desportivos. O responsável do PNED salientou que o Cartão Branco representa um recurso pedagógico que procura valorizar comportamentos exemplares, funcionando como um complemento aos tradicionais mecanismos disciplinares do desporto.
Um dos momentos mais marcantes da sessão surgiu durante a intervenção de Pedro Fernandes, que centrou a sua reflexão na responsabilidade educativa do treinador. Defendendo que a formação dos atletas ultrapassa a dimensão técnica, afirmou que o verdadeiro impacto do treinador resulta da coerência entre aquilo que transmite e aquilo que pratica diariamente.
"Nós não somos aquilo que dizemos. Somos aquilo que fazemos."
A frase sintetizou uma das principais mensagens do webinar: os atletas aprendem sobretudo através do exemplo, sendo o comportamento do treinador um fator determinante na construção dos seus valores, atitudes e formas de estar dentro e fora do contexto desportivo.
Na mesma linha, Jorge Silvério abordou o tema numa perspetiva psicológica, explicando que o reforço positivo constitui uma das estratégias mais eficazes para promover mudanças comportamentais duradouras. Segundo o psicólogo, reconhecer publicamente um comportamento adequado aumenta significativamente a probabilidade de esse comportamento voltar a repetir-se, sendo o Cartão Branco um dos melhores exemplos de reforço social aplicado ao desporto.
Já Ana Ribeiro apresentou a experiência da Liga 3 da Federação Portuguesa de Futebol, onde o Cartão Branco integra o projeto "Puro Futebol". Explicou que a competição valoriza não apenas o desempenho desportivo, mas também as boas práticas e os comportamentos éticos, reconhecendo publicamente treinadores, jogadores e restantes agentes que contribuem para uma cultura desportiva mais positiva.
O período de debate permitiu ainda esclarecer questões relacionadas com a aplicação prática do Cartão Branco, nomeadamente o momento adequado para a sua exibição, reforçando a importância de o reconhecimento ocorrer imediatamente após o comportamento de fair play, de forma a potenciar o seu impacto pedagógico.
No encerramento, os intervenientes convergiram numa ideia comum: a promoção da ética no desporto depende, acima de tudo, do exemplo diário dado pelos treinadores, árbitros, dirigentes, atletas e famílias. Mais do que distinguir boas ações, o Cartão Branco pretende incentivar uma cultura de reconhecimento positivo, contribuindo para formar melhores atletas, mas também melhores cidadãos.